O papel ético-político do trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde em um Território Vulnerável: contribuições da pesquisa participativa
DOI:
https://doi.org/10.30849/ripijp.v57i3.1684Palavras-chave:
Family health, affection, social psychology, participatory researchResumo
A consolidação dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) exige estratégias e intervenções inovadoras, tendo em vista a proposta que a Estratégia de Saúde da Família (ESF) seja reorganizadora do sistema de saúde. O lugar de mediação que o agente comunitário de saúde (ACS) ocupa precisa ser problematizado à luz do contexto sócio-histórico e cultural, especialmente no enfrentamento das determinações sociais da saúde. O objetivo foi refletir sobre o papel da afetividade na politização das práticas do ACS. A partir da pesquisa participante, instrumentalizada por um grupo gestor, observação participante e entrevistas, destacamos aspectos da intersubjetividade construída no território. Os resultados indicaram que a potência de ação destes profissionais está relacionada com a construção de espaços de acolhimento e escuta, promotores de uma consciência crítica e reflexiva, capazes de desnaturalizar o sofrimento desencadeado pela exclusão social. O principal desafio é valorizar a amizade construída no território como exercício político.
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