Mulheres na meia idade e velhice: condições de vida e saúde mental por raça/cor no contexto brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.30849/ripijp.v58i3.1999Palavras-chave:
Racismo, Mulheres, Condições sociais, Envelhecimento, Saúde mentalResumo
Buscou-se comparar as condições de vida e a saúde mental (Transtornos Mentais Comuns - TMC) entre mulheres brancas, pardas e pretas na meia idade e velhice no contexto brasileiro. Realizou-se um estudo em ambiente virtual, descritivo, de caráter transversal, com abordagem quantitativa. Uma amostra de conveniência de 545 mulheres na meia idade e velhice do território brasileiro responderam um formulário online com uma Ficha de informações sociodemográficas e o Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20). Foram feitas análises bivariadas (qui-quadrado de independência e teste t de Student) e uma ANOVA fatorial (p≤0,05) e foram calculados os tamanhos de efeito. Os resultados indicaram diferenças por raça/cor quanto à configuração familiar e às condições socioeconômicas, com maior proporção de pretas nos piores índices. Com relação à saúde mental, as mulheres brancas estavam mais protegidas e as pardas e as pretas solteiras apresentaram mais TMC. Os dados indicaram a complexidade envolvida na saúde mental e que o envelhecimento das mulheres pretas, pardas e brancas ocorre em contextos sociais e econômicos distintos. Uma velhice mais digna e saudável para todas as mulheres exige políticas públicas que abordem as disparidades raciais em múltiplos níveis, considerando as especificidades do racismo brasileiro.
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