A Psicologia no país do futuro: O VI Congresso Interamericano de Psicologia (Rio de Janeiro, 1959)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.30849/ripijp.v56i1.1697

Palavras-chave:

História da Psicologia, Brasil, Eventos Científicos, Profissionalização da Psicologia

Resumo

Este artigo analisa as condições e efeitos históricos da realização do VI Congresso Interamericano de Psicologia (VI CIP) no Rio de Janeiro (1959). Durante o final da década de 1950, o Brasil vivia um período de euforia desenvolvimentista nos planos econômico e cultural e de emergência de uma nova imagem do Brasil para o mundo. Foi também um período marcado pela criação dos primeiros cursos de graduação em Psicologia (a partir de 1953), bem como das negociações políticas que culminaram na regulamentação legal da profissão de psicólogo (1962). As fontes consultadas foram os Anais do VI CIP, contendo listas de participantes e resumos dos trabalhos apresentados, bem como publicações de imprensa que retratavam a cobertura midiática do congresso. O VI CIP teve 409 congressistas provenientes de 13 países, sendo 254 mulheres e 151 homens, além de 4 pessoas não identificadas. Percebe-se que a realização do VI CIP foi um marco de impulso para a Psicologia enquanto profissão emergente no Brasil, ao mesmo tempo que a repercussão pública do evento contribuiu tanto para a visibilidade desta ciência no meio interno, quanto para a divulgação da produção psicológica brasileira a nível continental.

Biografia do Autor

Filipe Degani-Carneiro, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.


Filipe Degani-Carneiro é Professor Adjunto do Instituto de Psicologia da UERJ e coordenador adjunto do Laboratório de História e Memória da Psicologia – Clio-Psyché. Doutor em Psicologia Social (UERJ), com pós-doutorado em História da Psicologia na mesma instituição.  Vice-presidente da Sociedade Brasileira de História da Psicologia (2019-21). Temas de estudo: História da Psicologia, Psicologia Social, Psicologia e Religião.

 

Ana Maria Jacó-Vilela, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

Ana Maria Jacó-Vilela é professora titular da Uerj, onde atua no Programa de Pós-graduação em Psicologia Social e coordena o Laboratório de História e Memória da Psicologia – Clio-Psyché. Doutora em Psicologia (USP) com pós-doutorado em História e Historiografia da Psicologia (Universidad Autònoma de Barcelona).  Seu campo principal de interesse é a história da psicologia no Brasil e na América Latina.

Adriana Amaral do Espírito-Santo, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

Adriana Amaral do Espírito-Santo é psicóloga, doutora em Psicologia Social pela UERJ, pós-doutoranda no Laboratório de História e Memória da Psicologia da UERJ - Clio-Psyché

Maira Allucham Goulart Naves Trevisan Vasconcellos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

Maira Allucham Goulart Naves Trevisan Vasconcellos é Doutora em Psicologia Social (UERJ), pós-doutoranda no Laboratório de História e Memória da Psicologia Clio-Psyché. Seus campos de interesse são História da Psicologia no Brasil e na América Latina e Psicanálise.

 

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Publicado

2022-07-26

Como Citar

Degani-Carneiro, F., Jacó-Vilela, A. M., Amaral do Espírito-Santo, A., & Goulart Naves Trevisan Vasconcellos, M. A. (2022). A Psicologia no país do futuro: O VI Congresso Interamericano de Psicologia (Rio de Janeiro, 1959). Revista Interamericana De Psicología/Interamerican Journal of Psychology, 56(1), e1697. https://doi.org/10.30849/ripijp.v56i1.1697