Representações sociais da maternidade em contexto pandêmico
DOI:
https://doi.org/10.30849/ripijp.v59(2025).e2017Palavras-chave:
Gestação, Maternidade, Pandemia, COVID-19, Representações sociaisResumo
Este estudo teve como objetivo identificar as representações sociais da maternidade entre gestantes primíparas e multíparas durante a pandemia de COVID-19. Trata-se de uma pesquisa de natureza descritiva e exploratória, com base na Teoria das Representações Sociais, realizada com 60 mulheres brasileiras que gestaram ou estavam gestando desde o início da pandemia. Foram utilizados um questionário sociodemográfico, a Técnica de Associação Livre de Palavras e entrevistas semiestruturadas, com análise textual pelo software IRAMUTEQ. Os resultados evidenciaram representações ancoradas em quatro classes temáticas: desafios e apoio familiar; fase gestacional; atribuições da maternidade; e emoções vivenciadas durante a pandemia. Identificou-se ambivalência de sentimentos, marcada por medo, ansiedade, mas também por amor e realização. Primíparas expressaram maior insegurança, enquanto multíparas demonstraram resiliência ancorada na experiência anterior. A pandemia ressignificou elementos centrais da maternidade, tensionando discursos tradicionais e favorecendo a emergência de representações mais complexas. O processo de ancoragem revelou a reinterpretação de valores culturais à luz das contingências pandêmicas. Conclui-se que a maternidade, vivenciada nesse contexto, configurou-se como experiência subjetiva e única, exigindo reconhecimento das especificidades nas políticas e práticas de cuidado.
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